Nos últimos anos, as alergias, de modo geral, vêm aumentando. Estima-se que a prevalência da alergia alimentar é de 6% nos menores de 3 anos e 3,5% na população adulta. Desse percentual, a alergia à proteína do leite de vaca (APLV) se tornou o problema mais comum durante a infância.

Quer descobrir como esse tipo de alergia pode ser evitado e saber melhor sobre como ela acontece? Então continue a leitura de nosso post e entenda mais sobre esse assunto!

Como ocorre a APLV IgE?

Em linhas gerais, a APLV IgE mediada ou imediata é uma resposta errada do organismo à produção de anticorpos IgE contra o leite de vaca e suas frações. Em indivíduos saudáveis, o consumo de alimentos determina o estado de tolerância que é a não resposta à ingestão alimentar.

Por outro lado, indivíduos suscetíveis ou que possuem a presença de fatores que alteram mecanismos de barreira gastrointestinal, por exemplo, podem provocar a modificação na resposta com a formação de anticorpos da classe IgE, que se fixam a receptores de células específicas, como os mastócitos e basófilos.

Nesse caso, quando há nova ingestão de leite ocorre a ativação dessas células, liberando substâncias como a histamina — que provoca sintomas específicos em determinados órgãos.

Quais os sintomas da APLV IgE?

As regiões mais afetadas podem ser: nariz, olhos, trato gastrointestinal e respiratório. Contudo, o órgão mais acometido na APLV IgE mediada é a pele. Ela manifesta sintomas de urticária, que são placas avermelhadas na superfície da pele, ou empolamento e angioedema, que é o inchaço de pálpebras, lábios e orelhas.

Os sintomas se desenvolvem rapidamente, geralmente em até 1 hora após o contato com o leite. Ainda vale ressaltar que o desenvolvimento de reações alérgicas na pele pode representar o início de um quadro mais grave denominado anafilaxia, que é quando mais de um órgão é acometido na reação, provocando os seguintes sintomas:

  • vômitos;
  • cólica;
  • diarreia no trato gastrointestinal;
  • coceira nasal;
  • espirros;
  • rouquidão;
  • chiado no peito;
  • tontura;
  • desmaio;
  • queda de pressão no sistema cardiovascular, entre outros.

Como é diagnosticado o APLV IgE?

O diagnóstico depende fundamentalmente da história clínica do paciente e da correlação de sintomas com a ingestão de leite de vaca, já que devem ser imediatos após o consumo e apresentar os mesmos sintomas sempre que ingerem. A confirmação da suspeita clínica deve ser realizada com a utilização de exames que pesquisem anticorpos específicos, seja por coleta sanguínea (RAST, Immunocap) ou por pesquisa cutânea (prick test).

Essa avaliação deve ser sempre realizada pelo especialista, pois existem indivíduos que possuem sensibilização ao leite. No geral, essas pessoas apresentam exames positivos sem manifestação de sintomas com a ingestão de leite e não devem ser tratados ou rotulados como APLV imediata.

Realização de testes

Não existe idade mínima para a investigação de APLV IgE mediada e os exames devem ser feitos com a suspeita clínica. Atualmente pode-se investigar “componentes” (CRD) específicos, como caseína, alfalactoalbumina e betalactglobulina que auxiliam melhor na interpretação do quadro. A caseína, por exemplo, é um componente relacionado com reações mais graves e maior persistência da alergia, enquanto a alfalactoalbumina e betalactglobulina podem indicar uma tolerância às formas assadas do alimento.

O teste de provocação oral ao leite (TPO) é um procedimento médico em que o paciente é exposto ao leite de vaca e pode ser utilizado para confirmação diagnóstica em casos duvidosos com exames negativos para verificar a remissão da APLV ou a tolerância ao leite de vaca. Deve ser sempre realizado em ambiente hospitalar ou serviço com suporte a emergência devido ao risco de manifestação dos sintomas de alergia.

APLV IgE tem tratamento?

O único tratamento comprovadamente eficaz é a exclusão total do leite de vaca da dieta. De forma geral, para lactentes em aleitamento materno exclusivo é indicada a exclusão do leite na dieta materna a não ser em casos específicos em que não apresente reações com alérgenos veiculados pelo leite materno.

Portanto, devido à reatividade, não se deve substituir por leite de outros mamíferos, como cabras, ovelhas e búfalas, mesmo aqueles que têm menor índice de resposta, como éguas e camelas.

A substituição do leite de vaca para lactentes deve ser feito com fórmulas específicas sem a proteína intacta do leite de vaca: extensamente hidrolisadas a base de proteína do leite de vaca (Pregomin®, Alfaré®, Aptamil pepti®, Althéra®, Pregestimil®), fórmula de aminoácidos (Neocate®, Alfamino®, Puramino®) e fórmula de proteína isolada de soja (Aptamil Soja®, Nam Soy®). A fórmula da proteína hidrolisada de arroz ainda carece de estudos.

Para lactentes a partir de 6 meses a fórmula indicada é a de proteína isolada de soja e nos demais casos é indicada a fórmula extensamente hidrolisada a base de proteína do leite (eficácia em 90% dos casos). Na APLV IgE mediada a fórmula de aminoácidos é indicada para aqueles que tiveram reação com uso de fórmula extensamente hidrolisada confirmada por TPO e que possuam alergia a soja.

A imunoterapia e dessensibilização ao leite de vaca são métodos mais recentes de tratamento que tentam induzir a tolerância ao leite de forma mais rápida. São métodos ainda reservados para casos selecionados e que apresentam alto índice de reações durante o seu curso.

O diagnóstico e acompanhamento da APLV IgE mediada deve ser realizado pelo médico alergista especialista, já que os sintomas podem estar relacionados a outros quadros alérgicos, como rinite alérgica, asma, urticária crônica, aguda e não alérgicos, como intolerantes à lactose e doentes do refluxo gastroesofágico.

Casos como esses podem levar a diagnósticos superestimados de APLV. Portanto, o seguimento com especialista é determinante para a avaliação da evolução da alergia e programação do TPO para averiguar se já há tolerância ao leite e sua liberação para consumo.

Fonte: Consenso Brasileiro sobre Alergia Alimentar: 2018

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